O Caso de Negócios em Favor da Rentabilidade dos Edifícios Verdes

“Depois de mais de 10 mil anos de relativa estabilidade – toda a duração da civilização humana – o clima da terra está mudando”, McKinsey escreve em seu relatório, Climate Risk and Response: Physical Hazards and Socioeconomic Impacts. “Em muitos lugares até 2050, as temperaturas médias globais deverão aumentar entre 1,5 e 5 graus Celsius em relação às temperaturas atuais.”

Com os alarmes a ressonar cada vez mais alto sobre o destino de um planeta superaquecido, os maiores responsáveis pelas emissões de carbono procuram uma resposta. O setor de construção é um dos principais responsáveis, respondendo por 28% das emissões de gases do efeito estufa relacionadas com energia e pelo consumo de mais da metade de toda a eletricidade. A tendência é ascendente, considerando que 60% de todo espaço que se espera construir até 2030 ainda não está pronto e, dependendo da força contínua da economia mundial, até 2060, o espaço total construído muito provavelmente será o dobro do que é hoje. Como equilibrar a demanda por um ambiente construído significativamente maior, minimizando ao mesmo tempo o esgotamento dos recursos e os impactos de carbono é crucial para o nosso futuro.

OS EDIFÍCIOS VERDES TÊM UM VALOR COMPROVADO EM ECONOMIAS ESTABELECIDAS

Verde Two Monteverde Tower é uma torre de apartamentos residenciais desenvolvida pela FARPOINT and Asia Green Real Estate, empresa de gestão de investimentos imobiliários que certifica todos os seus projetos com EDGE.

Este exercício de equilíbrio começa com a validação da oportunidade que os edifícios com certificação verde oferecem aos principais atores do setor, incluindo incorporadoras, bancos e governos. Quando projetados para ter um bom desempenho desde o início, os edifícios terão um menor consumo de água e energia, com benefícios em termos de despesas mais baixas de operação para os proprietários, os responsáveis pela gestão e também para os que alugam. Quando os imóveis são vendido, esse valor pode ser passado diretamente para os clientes na forma de economia nas contas de serviços de utilidade pública, oferecendo uma maneira confiável para as incorporadoras diferenciarem seus imóveis no mercado. Dessa forma, as incorporadoras melhoram os seus modelos de negócios, demonstrando ao mesmo tempo atenção ao cliente e melhores práticas ambientais.

Em economias estabelecidas, a certificação verde de edifícios é um fator comprovado de aumento de receitas e atração e manutenção de clientes. Edifícios comerciais verdes geram renda de aluguel até 8% mais alta com índices de ocupação até 23% mais altos. Para incorporadoras que constroem para vender, os prêmios da venda de edifícios comerciais são até 31% mais altos. No plano residencial, residências verdes atraem alugueis 8% mais altos e, segundo algumas estimativas, alugueis até 25% mais altos. Casas verdes também têm preços de venda 4% a 10% mais altos, e vendem até quatro vezes mais rápido. O caso de negócios nos mercados desenvolvidos é muito claro: edifícios verdes são mais comercializáveis e geram maior lucro.

UMA TENDÊNCIA CRESCENTE EM MERCADOS EMERGENTES

Embora apenas uma pequena parcela de edifícios seja atualmente certificada em mercados emergentes, é nesses mercados que eles poderão ter o maior impacto, tanto em termos econômicos como ambientais. Recentemente, os edifícios verdes começaram a ganhar presença em lugares surpreendentes, o que indica que um futuro melhor é possível. Essa tendência pode ser atribuída a um melhor entendimento sobre o valor da certificação, ao instinto competitivo de estar à frente da concorrência que ainda constroi de modo convencional e a uma resposta genuína de causar o menor dado possível ao meio ambiente cada vez mais ameaçado. Os incentivos que estão surgindo em muitos mercados estimulam ainda mais o crescimento da construção verde, criando um ponto de inflexão, com os bancos e governos a oferecer cada vez mais taxas financeiras preferenciais e políticas públicas progressivas.

In Colombia, for example, 8 percent of new building growth has been certified with EDGE, due to a Na Colômbia, por exemplo, 8% do crescimento de novas construções conta com a certificação EDGE, devido à confluência de incentivos governamentais e bancários e dos esforços poderosos de lobby da CAMACOL, provedor nacional de certificação EDGE. No Vietnã, uma quantia relativamente equivalente de crescimento de nova construção (8% do mercado em questão) é certificada com EDGE sem qualquer incentivo instituído, porque as incorporadoras reconhem o valor de diferenciação de produto, especialmente no setor habitacional.

O CASO EM FAVOR DO INVESTIMENTO EM EDIFÍCIOS VERDES

Embora edifícios mais eficientes leve a um aumento da receita e redução dos custos operacionais, eles também representam uma melhor garantia de preços de revenda mais altos, proporcionando um valor superior de ativos para investidores e financistas. A adoção da construção verde permite que as instituições financeiras ampliem a sua base de clientes e oferta de produtos, formem portfólios de mais alto valor e mais baixo risco e tenham acesso a novas fontes de financiamento por meio dos títulos verdes, securizações verdes e mecanismos de crédito verdes, reduzindo potencialmente o custo do capital. Novos produtos como financiamento de construções verde e hipotecas verdes também podem ser introduzidos, para conseguir uma participação de mercado ainda maior.

Tien Dao, Subdiretor Geral do Projeto de Incorporação do Capital House Group no Vietnã, comprometeu-se a certificar com EDGE o sua futuro portfólio de residências economicamente acessíveis.

Ao escolher a certificação EDGE, os bancos contam com instrumentos de verificação à mão para os seus investimentos imobiliários verdes, com acesso a projeções sobre as emissões de carbono no nível do ativo e do portfólio. As projeções são vitais para comparar ativos certificados com ativos não certificados, avaliando a exposição de risco dos edifícios com pior desempenho para que possam tomar decisões mais estratégicas no futuro. A ideia é desenvolver portfólios de investimento imobiliário mais fortes que sejam resilientes aos riscos financeiros, regulatórios e à reputação associados à transição para economias de baixo carbono.

O Green Buildings: A Finance and Policy Blueprint for Emerging Markets da IFC identificou que o potencial de mercado dos edifícios verdes está estimado em US$ 24,7 trilhões até 2030 em todas as cidades de mercados emergentes com mais de meio milhão de habitantes, o que representa US$ 15,7 trilhões de oportunidades no plano residencial. A construção verde deve crescer globalmente a uma taxa anual composta de mais de 10% entre agora e 2023, de acordo com os Principles for Responsible Investment. As projeções dependem dos mercados globais e também da possibilidade ou não de uma significante contração no curto prazo.


A NECESSIDADE DE DADOS DE DESEMPENHO DOS MERCADOS EMERGENTES

Reconhecendo a ausência de dados de desempenho confiáveis dos edifícios verdes e de outros indicadores essenciais dos mercados emergentes e de seu valor para a comunidade de investidores, o governo do Reino Unidos uniu forças com a IFC no Market Accelerator for Green Construction (MAGC). Além de prestar apoio operacional e de investimento para priorizar o EDGE em mercados onde é mais importante, a iniciativa MAGC inclui um componente de pesquisa para medir a dinâmica de valor de edifícios verdes, com resultados previstos publicamente para 2022.

O objetivo é descobrir informações contudentes e relevantes por meio da coleta e análise de dados mais consistentes, do acompanhamento do progresso em relação às bases de referência locais e da validação da teoria de que os edifícios com certificação verde tem um melhor desempenho do que os edições convencionais no que diz respeito a cada elo da cadeia de valor, em qualquer lugar do mundo.

A RAZÃO LÓGICA PARA QUE OS GOVERNOS INCENTIVEM CONSTRUÇÕES VERDES

Desenvolvido pela PPP Habitacional, o complexo de apartamentos certificados pelo EDGE Julio Prestes faz parte dos esforços de São Paulo para revitalizar o seu centro urbano.

Os governos também têm um papel crucial para ajudar a promover o crescimento da construção verde por meio de políticas progressivas. A criação de incentivos tanto fiscais como não fiscais ligados a edifícios certificados pode criar uma conscientização maciça entre a comunidade de incorporadores e galvanizar mercados a entrarem em ação. Por exemplo, incentivos de bônus de altura oferecidos por municípios estão promovendo a adoção da certificação EDGE nas maiores cidades do Peru, com penetração no mercado residencial de quase 5%, em apenas alguns anos. Os incentivos têm um impacto ainda mair quando sobrepostos a uma política de códigos de construção no nível municipal ou nacional que seja bem implementada e aplicada.

No total, 194 países em todo mundo apresentaram Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) para alcançar suas metas de reduzir de emissões por meio de soluções climáticas, para ajudar na consecução dos objetivos do Acordo de Paris. Desses países, 136 mencionam o papel do setor de construção. A certificação de construção verde ajuda esses países a alcançar seus objetivos climáticos, assegurando o crescimento da construção ambientalmente responsável que atenda às necessidades de habitação sem exaurir os recursos sociais ou ameaçar a segurança energética.

EM BUSCA DO AVANÇO CONTÍNUO EM TERMOS DE PADRÕES

Em 2018, o Conselho Mundial de Construção Verde lançou Advancing Net Zero para incentivar os setores público e privado a adotarem medidas imediatas para alcançar emissões líquidas zero de carbono em novos projetos de construção até 2030, com todos os edifícios reformados para atingir o nível líquido zero em termos de carbono até 2050. A iniciativa é complementada pela Zero Carbon Buildings for All, que lança a parceiros financeiros e industriais o desafio de oferecer informações especializadas e comprometer US$ 1 trilhão em investimentos até 2030. Para que o setor de construção cumpra seu papel na transição energética, o Rocky Mountain Institute afirma que é necessário uma redução de 50% das emissões globais dos edifícios até 2030, além de alcançar o nível de emissões zero de carbono até 2050.

Para alcançar esses objetivos ambiciosos, mais investidores, incorporadoras e governos precisarão exibir suas histórias inovadoras sobre como podemos trabalhar juntos para atender a demanda de edifícios de uma maneira que seja economicamente benéfica e alinhada com os objetivos climáticos globais. Uma base de evidências também será muito útil para proporcionar provas quantificáveis em favor do caso de negócios para edifícios verdes nos mercados emergentes, resultando em uma nova onda de investidores e incorporadores a assumir a liderança neste sentido.

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